Concluída a Fase 1: SAL Odemira aponta caminho para reforçar a ligação entre produção e consumo local

Depois de mais de um ano de trabalho dedicado a conhecer melhor a procura, a oferta e as relações que podem aproximar quem produz de quem compra, o SAL Odemira chega ao final da sua Fase 1 com um novo relatório: “Oportunidades, Obstáculos e Caminho a Seguir”.

Este documento encerra a primeira fase do projecto e reúne as principais aprendizagens resultantes dos diagnósticos realizados, dos encontros de articulação e do trabalho desenvolvido com produtores, cantinas, restauração, turismo, consumidores e outros parceiros do território. Trata-se de uma síntese estratégica, que procura apoiar as próximas decisões sobre o desenvolvimento do Sistema Alimentar Local de Odemira.

E uma das principais conclusões é clara: Odemira não parte do zero. Existe produção alimentar diversificada, existem produtores com experiência de venda local, existem circuitos que já funcionam e existe interesse, por parte de diferentes tipos de compradores, em reforçar o acesso a produtos locais. O diagnóstico realizado junto de 36 produtores revelou, por exemplo, que 83% demonstraram interesse em novos canais de escoamento e 64% consideraram ter capacidade para produzir mais, desde que existam condições adequadas.

O desafio está, sobretudo, em ligar melhor estas duas realidades.

Ao longo da Fase 1, tornou-se evidente que produtores e compradores enfrentam necessidades diferentes, mas complementares. Quem compra procura regularidade, informação, qualidade, preços compatíveis e processos simples. Quem produz precisa de previsibilidade, encomendas, redução do risco e informação antecipada sobre as necessidades do mercado. Entre os dois lados faltam ainda algumas funções essenciais: planeamento, agregação da oferta, logística, armazenamento e frio, distribuição, informação, confiança e coordenação.

É precisamente neste espaço que o SAL identifica uma oportunidade de intervenção.

O relatório aponta várias possibilidades para o desenvolvimento de um sistema alimentar local em Odemira: o mercado das refeições escolares e sociais, a restauração e o turismo, os consumidores colectivos e os grupos de consumo. Identifica ainda os produtos hortofrutícolas como uma porta de entrada particularmente adequada para a experimentação, pela existência de produtores, pela experiência já existente em circuitos curtos e pela possibilidade de trabalhar com encomendas e calendários sazonais.

Ao mesmo tempo, o relatório não ignora os obstáculos. A dispersão territorial, a falta de capacidade de armazenamento e frio, os custos de transporte, a necessidade de coordenação profissional, o desencontro entre o tempo da produção e o tempo das compras, a questão do preço e da viabilidade económica e algumas exigências associadas às compras públicas e à qualidade são apontados como desafios que terão de ser enfrentados para que o sistema possa ganhar escala.

Por isso, a pergunta que orienta agora o trabalho já não é apenas “há produtos locais e pessoas interessadas em comprá-los?”, mas antes: “que organização, infraestruturas, regras e investimentos são necessários para que essa relação funcione com regularidade, qualidade e viabilidade económica?”

A resposta começa a ser construída na Fase 2 do SAL Odemira, cujo arranque está previsto para Setembro de 2026. Esta nova etapa permitirá aprofundar o conhecimento da procura e da oferta à escala do concelho, testar um protótipo de abastecimento local, desenvolver ferramentas de encomenda e articulação, trabalhar modelos económicos e criar o Conselho Alimentar Local. A lógica será experimentar, medir, aprender e ajustar, criando informação que permita fundamentar as decisões e os investimentos futuros.

A Fase 2 dispõe já de um orçamento de 105.000 euros, com 30.000 euros de financiamento do Alentejo 2030 e 75.000 euros de co-financiamento do Município de Odemira. O relatório sublinha, contudo, que permanecem desafios estruturais, nomeadamente a criação de uma solução de continuidade para a função de articulação e o investimento necessário em transporte refrigerado, armazenamento, frio e agregação.

Este é, assim, um momento de conclusão, mas também de passagem para uma nova etapa.

A Fase 1 permitiu conhecer melhor o ponto de partida e identificar as condições necessárias para avançar. A próxima fase será dedicada a testar, aprender e começar a estruturar soluções concretas, sempre a partir do que já existe no território e envolvendo os diferentes actores que são parte do sistema alimentar local.

O relatório SAL Odemira — Oportunidades, Obstáculos e Caminho a Seguir está agora disponível para consulta. Convidamos toda a comunidade a conhecer o trabalho desenvolvido, as conclusões alcançadas e as propostas que apontam o caminho para a próxima fase do projecto.

Porque construir um sistema alimentar local é, também, construir relações: entre quem produz e quem compra, entre território e alimentação, e entre as pessoas e as organizações que todos os dias dão vida a Odemira.